29 agosto 2017

dinastia

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     Era uma vez. Uma vez alguém que visionou, alguém que quis quebrar o paradigma, que o imaginou quebrado. Uma vez alguém que fez não mais que todos, mas granjeou a adesão de uns quantos mais fascinados pela sua loucura. Uma vez alguém que denunciou as injustiças, que as bradou, que as relevou, que propôs soluções, que se tentou explicar, que guiou, que orientou, que lutou, que debateu, que ...

     Era uma vez uma vida devotada a uma visão. Uma vida. Mas vida é efémera, e de gorjeta deixamos uns pedaços de ideias e pensamentos. 
     Era uma vez um Homem. O Homem morre: a terra lapida-lhe o corpo e as Gentes delapidam-lhe a ideia deixada em herança. 

14 agosto 2017

bruh

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Por vezes paro, cansado de coisa nenhuma, e olho. Nunca me sinto tão estrangeiro como então: por novos instantes, as árvores não parecem as mesmas, as sombras parecem diferentes, as ruas surgem renovadas sob a luz limpa que resplandece na cal. O rumor do rio – nunca me soou tão cristalino. O grasnar das gaivotas confunde-se com o papaguear dos turistas. Sinto-me, enfim, enteado nesta terra que me permitiu no seu seio mas que não me viu nascer.
Das serranias distantes da paisagem chega-me uma aragem que me fala de casa. Casa: palavra maravilhosa que me enche os ouvidos de saudade. Casa é onde cresci e fui miúdo, casa é onde pernoitei nos meus anos dourados de inocência. Casa é onde guardei tudo o que de bom fui.
Este rio largo que rasga a minha madrasta não suplanta o ribeiro que me lavou as primeiras ideias. Estas casas caiadas, largas e alinhadas, não destronam os casinhotos alinhavados que eu visitei e corri e memorizei. Estes telhados de caniço e águas em nada suprimem o meu colmo, a minha tábua que me tolda o coração.
Sou estrangeiro porque assim o quero, sou estrangeiro quando me esqueço do que aqui me traz numa perpétua passagem. Sou estrangeiro, mas quero ser turista: já vi a paisagem, achei-a bonita – mas sinto que é hora de regressar ao meu lar.

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    GOOOOOOOOD MORNING VIETNAM!! Como vão as minhas lagostinhas suadas? :D não me levem a mal, mas este verão já não dá para senão isso Contem-me das vossas férias? Algarve, já cá vieram? Não? Óptimo!, não venham: o Levante bate-vos com o real calor na fronha e depois atira-vos ao chão com um poderoso vendaval -n- Mas sabem o que é melhor que o calor abafado do Levante?? É refugiar-nos dele numa copa! Isso sim, resolve o problema: da aridez do Sahara para a humidade tropical da Amazónia ♥ Fiz férias em meio mundo sem sair do Algarve, isto sim é de valor!
Mas querem saber uma coisa?

24 fevereiro 2017

da omnipotência ou livre-arbitrío

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   Sendo aluna do ensino secundário, todos os dias tenho o privilégio de conviver com um relance do que será o futuro do país; afinal, que melhor altura senão esta para em nós, os jovens de hoje, se começarem a alardear os estrepitosos agouros do que seremos? Nisto já encontro por aí todo o tipo de idealistas, um vasto leque de resolutos ateus ou assumidos vencidos da vida -- porque, com a nossa parca idade, julgamos ser já detentores de toda a razão que cabe no mundo.
   Falo por mim, ao menos, porque me sinto orgulhosamente picar quando quesitonam o que penso saber: fico num exaltado silêncio, já que a consciência ou a falta de argumentos me acautelam a não dizer nada. Todos nós, no fundo, convictos que pensamos algo de novo, limitamo-nos a desbobinar frases badaladas que nos encaixam perfeitamente nas nossas justificações enquanto não aprendemos  a (ou ganhamos a coragem para) pensá-las por nós.
   Um colega meu, por quem guardo grande estima, é um desses ateus confessos -- é talvez o ateu confesso que me faz generalizar um pouco o termo. Sobre o seu ateísmo, fundamenta-se com frases vagas -- como também eu o faço -- que eu lato resumo resultam naquelo perpétuo apelo à ignorância: «Ninguém provou que Deus existe, logo não existe». Reconheço que também já ouvi cristãos justificar a sua crença com a inversão do argumento.
   Ora o meu Tomé (vou chamá-lo assim já que o nome me parece adequado) diz-me por vezes, como também já ouvi dizer a outrém, que, se Deus é real e tão omnipotente como se declara, como pode ele condenar milhares de crianças à morte pela fome e pela miséria. Não querendo ofender ninguém, permitam-me dizer que isto me soa a demasiado desdém por algo que, claramente, não se atreveu a analisar antes de colocar a questão.
   Mas antes de mais, queria apenas deixar claro que não é para provar a verdade da existência de Deus que escrevo, mas antes analisar a sua hipotética incidência sobre este assunto.